Eventos Anais de eventos
COBEF 2017
Congresso Brasileiro de Engenharia de Fabricação
DISCUSSÕES SOBRE A DETERMINAÇÃO DO COMPRIMENTO DE AMOSTRAGEM (λc) PARA AVALIAÇÃO DA RUGOSIDADE NO TORNEAMENTO DE MATERIAIS ENDURECIDOS
Submission Author:
Clarianne Natali de Campos , SC
Co-Authors:
Denis Boing, Rolf Schroeter
Presenter: Clarianne Natali de Campos
doi://10.26678/ABCM.COBEF2017.COF2017-0995
Abstract
A avaliação da textura da superfície de um componente mecânico tradicionalmente tem sido realizada pela verificação da rugosidade. A rugosidade ou textura primária é formada por sulcos ou marcas deixadas pelo agente que interfere na superfície durante o processo de usinagem, e se encontra superposta a um perfil de ondulação. Para a obtenção de valores de rugosidade que sejam representativos da condição real da superfície, a escolha do valor do comprimento de amostragem ou cut-off (λc) é um fator determinante na qualidade dos resultados gerados, o qual está previsto na norma ISO 6405/1998. Na indústria, e na maioria dos trabalhos publicados, para intervalo entre as classes N4, N5 e N6 (0,2 até 0,8 µm na escala Ra) conforme a NBR 8404/1984, verifica-se frequentemente a utilização do cut-off de 0,80 mm, independentemente do processo de usinagem utilizado. Levando em consideração a criticidade do comprimento de amostragem nos resultados de rugosidade, foram realizados ensaios de torneamento do aço AISI 4340 (45 HRC), com ferramenta nova de metal-duro de grãos ultrafinos. Foram aplicados parâmetros de usinagem típicos do processo de acabamento, capazes de gerar rugosidades inferiores a 0,8µm na escala Ra. A rugosidade da superfície gerada posteriormente foi avaliada por parâmetros de rugosidade 2D, sendo que para avaliar a influência do cut-off, foram aplicados os valores: 0,80 mm, 0,25 mm e 0,08 mm. A partir dos resultados obtidos, verificou-se que os valores de rugosidade gerados apresentaram elevadas disparidades entre si, quando aplicados diferentes valores de cut-off. O processo de torneamento produz uma superfície com característica isotrópica, ou seja, a cinemática da operação e a geometria da ferramenta são os principais responsáveis pela geração da textura da superfície. Conforme a norma ISO 4288/1998 e considerando os valores do parâmetro RSm, para a condição ensaiada, o comprimento de amostragem indicado seria de (λc) de 0,25 mm. A utilização do do cut-off de 0,80 mm, situação extremamente comum no ambiente industrial e em publicações científicas, não seria o mais adequado pois consideraria perfil relativo à ondulação como perfil de rugosidade. Enquanto que com (λc) de 0,08 mm, por ser um filtro mais minucioso, informações importantes em relação à superfície gerada foram suprimidas. A discussão sobre os métodos de avaliação da rugosidade torna-se extremamente relevante no estudo do torneamento de materiais endurecidos, principalmente quando objetiva a substituição do processo de retificação, pois, para o mesmo intervalo de classe, o (λc) de 0,80 mm seria adequado se a superfície fosse anisotrópica – típicos do processo de retificação.
Keywords
Comprimento de amostragem, rugosidade, torneamento de materiais endurecidos

